Quarta-feira, Outubro 12, 2005

Histórias de Encantar
A Formiga Trabalhadora



Todos os dias, bem cedo, a Formiga produtiva e feliz chegava ao escritório. Ali decorriam todos os seus dias, trabalhando e cantarolando uma velha canção de amor. Era produtiva e feliz, mas não era supervisionada.

O Cagalhota, gerente geral, considerou o facto impossível e criou um cargo de supervisor, no qual colocou uma Barata com muita experiência.

A primeira preocupação da Barata foi a de uniformizar o horário de entrada e saída, além de preparar belíssimos relatórios.

Bem depressa se tornou necessária uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e, portanto, empregaram uma aranhazinha, que organizou os arquivos e se ocupou do telefone.

Enquanto isso, a formiga produtiva e feliz trabalhava, trabalhava, trabalhava.

O Cagalhota, gerente geral, estava encantado com os relatórios da Barata e acabou por pedir também quadros comparativos e gráficos, indicadores de gestão e análise das tendências. Foi, então, necessário empregar uma Mosca ajudante do supervisor, send então necessário um novo computador com impressora a cores.

Logo a Formiga produtiva e feliz parou de cantarolar as suas melodias e começou a lamentar-se de toda aquela movimentação de papéis que tinha de ser feita.

O Cagalhota, gerente geral, concluiu, portanto, que era o momento de adoptar medidas: criaram o cargo de gestor da área onde a Formiga produtiva e feliz trabalhava. O cargo foi dado a uma Cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial.

A nova gestora de área, claro, precisou de um computador novo, e quando se tem mais do que um computador, a Internet torna-se necessária.

A nova gestora logo precisou de um assistente (o seu assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar o plano estratégico e o orçamento para a área onde trabalhava a Formiga produtiva e feliz.

A Formiga já não cantarolava mais, e cada dia se tornava mais irascível..

"Precisamos pagar para que seja feito um estudo sobre o ambiente de trabalho um dia destes", disse a Cigarra.

Mas um dia, o gerente geral - ao rever os números - deu-se conta de que a unidade na qual a Formiga produtiva e feliz trabalhava não rendia muito mais. E assim contratou a Coruja, consultora prestigiada, para que fizesse um diagnóstico da situação.

A Coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um relatório brilhante com vários volumes e custo de "vários" milhões de euros, que concluíam o seguinte:

"Há muita gente nesta empresa".

E assim, o gerente geral seguiu o conselho da consultora e demitiu a Formiga, por que andava muito desmotivada e aborrecida...